Raulzito e a Canção do Senhor
00:35 | Author: Jorge lucas
A primeira vez que escutei a canção Gita de autoria do Raul Seixas e do Paulo Coelho me senti leve, talvez pela forma como foi gravada com inúmeros instrumentos líricos dando a sensação de paz ou talvez pela voz doce que mais parece uma canção de amor, tempos mais tarde descobri que a música foi "elaborada" em cima de um livro sagrado para o Hinduísmo, o Bhagavad Gita.

Escrito da forma encontrada atualmente entre os séculos 5 e 1 a.C. quando a Índia era unificada politicamente indo do Himalaia ao Cabo Camorim o livro é um dos capítulos da epopéia Mahâbhâruta, que narra os anseios do príncipe Arjuna que se vê em crise quando entra para o campo de batalha e percebe que seus inimigos são seus familiares em lados opostos disputando terras, sua tradução é entendida como "canção do senhor" pois contém as palavras da divindade Krishna.

Intepretada de diversas maneiras(algumas sem a mínima noção) a música se tornou um marco na carreira do Raul, estourando no Brasil e fazendo-o voltar do seu exílio nos Estados Unidos e fazer o primeiro video-clipe colorido da história brasileira. Entre as interpretações um tanto comum irei citar algumas que facilmente podem ser excluídas com um pouco de leitura: "Quando ele fala que a letra A tem meu nome ele está se referindo ao Aleister Crowley"

Não, no canto X estância 33 encontra-se o seguinte texto:
"Sou a vogal A entre as letras; o composto copulativo entra as palavras compostas. Sou o tempo infinito, o mestre ordenador, cujas faces estão em toda parte."

"Essa música foi inspirada em um diálogo com o capeta"

Não, o livro trata somente da conversa entre Arjuna e Krishna e não de fantasias cristãs, quando sublinhei a palavra elaborada no início da postagem foi para comentar que inúmeros versos foram mantidos iguaizinhos ou quase nada modificados, como no:

Canto X estância 32:
"Sou o princípio, meio e fim..."

Canto IX estância 4:
"... todos os seres estão em mim, mas eu não estou neles."

Canto X estância 34:
"Sou a morte que tudo arrebata e o nascimento de tudo que adquire vida. Entre os atributos femininos sou a glória, a beleza, a eloquência, a memória, a inteligência..."

"Essa música é um canção de amor"

Bom, não deixa de ser.

Contendo versos que encantam e fazem refletir, o grande mestre teósofo Roviralta Borrel assim se referia ao Bhagavad Gita "um livro de cabeceira humanidade que simboliza a batalha entre dois grupos antagônicos, a eterna luta entre o bem e o mal travado na mente e nos corações dos homens"
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2 comentários:

On 18/02/2009 15:53 , Eli Magalhães disse...

Bicho-grilismo como categoria foi ótimo!

 
On 22/02/2009 21:24 , Fabiano disse...

Sobre Bicho Grilismo seria bom que as pessoas lessem esse ótimo texto da fantástico(pra rasgar pouca seda) rockeiro gaúcho Frank Jorge

http://www.nao-til.com.br/nao-55/despota.htm