Sobre Obama e o Mundo!
11:39 | Author: Fabiano
Na esteira do texto do Mário logo abaixo, posto aqui uma breve reflexão sobre o efeito causado pela eleição de Obama, em uma série de setores da classe trabalhadora em escala internacional, como não deveria deixar de ser, pela importância que tem um presidente estadunidense.

Os EUA, logo após a queda do Muro de Berlim e o decreto do "fim da história", pelo Fukuyama, passa hegemonizar o mundo militar, cultural, politica e economicamente. O fato de as ditaduras das burocracias stalinistas, terem levado o mundo do socialismo(indevidamente nomeado de real) ao retrocesso histórico da restauração capitalista em todos os Estados que estavam em transição ao socialismo, faz com que exista um "vendaval oportunista"[1] que varre toda a esquerda mundial, nas palavras de Martín Hernandez:

"A partir desses acontecimentos, uma enorme confusão, que se mantém até hoje, atingiu o conjunto da esquerda mundial. Por um lado, a restauração do capitalismo e, por outro, a brutal campanha ideológica do imperialismo, tratando de mostrar a superioridade do capitalismo sobre o socialismo, provocaram um profundo impacto em toda a esquerda e toda a vanguarda mundial. Uma boa parte da esquerda chegou à conclusão de que o capitalismo havia demonstrado sua superioridade. Outra parte, possivelmente a maioria, de que o socialismo não passava de uma bela utopia. Entre eles, germinou com muita força a idéia de que o leninismo havia dado origem ao stalinismo, que os partidos revolucionários eram coisa do passado, assim como a revolução socialista e a tomada do poder pelos trabalhadores."[2]

É fato que a classe operária, o proletariado mundial, já tinham sofridos várias traições durante toda a história do capitalismo, a capitulação da II Internacional frente às suas burguesias nacionais na 1ª Guerra e a consequente ruptura com o Marxismo, a III Internacional e sua política ultra-esquerdista irreponsável que faz com que a partir da derrota do proletariado alemão, faça com que o proletariado internacional sofra uma das suas maiores derrotas, a partir da ascensão do Nazismo, sem luta nenhuma, daquele que foi o maior partido revolucionário mundial, que já foi construído pela classe operária, jogou uma pá de cal no mesmo. A partir dos anos 30, existe uma reviravolta e "comunistas" e social-democratas andam juntos com diversos partidos da burguesia, conformando assim as famosas Frentes Popular, ampliando assim as ilusões dos trabalhadores na pretensa democracia da burguesia, e levando vários processos revolucionários à derrotas históricas.

Nos anos 90, com o "vendaval oportunista", diversos setores que haviam sobrevivido à essas traições, passam a negar todo o seu passado de lutas e de militância revolucionária, semeando mais confusão, o Capitalismo passa a reinar sozinho, tendo à Frente o Imperialismo estadunidense à frente e os imperialismos Europeu e Japonês como fiéis escudeiros de sua política, e uma esquerda cada vez mais rendida às benesses do Estado Burguês e envolta num mar de ilusões, abandonando as perspectivas de transformação revolucionária da sociedade.

Toda essa reinação(guerras, imposições de políticas econômicas desastrosas a países menores, etc) do imperialismo yankee, faz com que os níveis de popularidade dos EUA cheguem aos níveis mais baixos em toda a sua história, chegando ao ápice do declínio no segundo governo Bush, que sai do governo quase levando uma bela duma sapatada na cara e sendo uma dos presidentes mais impopulares da história dos EUA(apesar de ter sido eleito e reeleito).

Tudo isso leva ao imperialismo estadunidense à uma necessidade cada vez maior de reciclar a sua imagem frente às massas mundiais, somente dessa forma seria possível manter a dominação Geopolítica dos EUA, frente ao resto do mundo, ainda mais quando uma crise cíclica do capital se inicia, com indícios de ser uma das piores ja sofridas pelo capitalismo, e que se inicia exatamente no coração do imperialismo, os próprios Estados Unidos.

A eleição do primeiro presidente negro da história dos EUA não é fruto do acaso, assim como não é fruto do acaso um ex-operário chegar à presidência no Brasil, ou um índio chegar à presidência da Bolívia, tudo isso é necessário pra a manutenção da exploração e da dominação do imperialismo e da burguesia internacional.

A consciência anti-imperialista construída na Era-Bush, começa a ser destruída desde a eleição do Obama, diversos setores saúdam como um avanço, mas só discordando de leve do Mário no seu texto, eu creio que o mais do mesmo já está sendo feito, não precisamos esperar 4 ou 8 anos para isso, a propria frase que citada, e o fato de Obama pertencer ao Partido Democrata, me faz crer que não se pode ter perspectiva de mudança(e eu sei que o Mário não têm, como ele deixa bem claro) alguma, seria algo como... diante de uma divergência entre o PSDB e o PFL, esperar que o PSDB fizesse as grandes tranformações.

Ao mesmo tempo, sabemos que não podemos lidar com esse governo, como se tratou o Bush, incorrer num erro sectário e ultra-esquerdista, pode nos isolar ainda mais do conjunto dos trabalhadores, que olham pra Obama e confiam que verdadeiramente ele vai fazer as mudanças que o mundo precisa.

Estamos diante de um momento crucial para a vida de centenas de milhares de trabalhadores, que já estão perdendo os seus empregos em todo o mundo, capitular ao Obama, é fazer com que a classe operária sofra mais uma derrota histórica e mais uma traição da parte de quem ela mais confia... a sua direção!

Notas:
[1]http://www.pstu.org.br/jornal_materia.asp?id=1987&ida=7
[2] http://www.pstu.org.br/autor_materia.asp?id=3866&ida=7
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1 comentários:

On 24/01/2009 18:29 , Mário Júnior disse...

Ficou quase uma análise de conjuntura, hein. Sem discordâncias, posso apenas comentar alguns pontos.

A tese do fim da história, bastante difundida e debatida sempre que lembramos da queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética, é uma calhordice de acriticidade ilimitada, mas que - por razões ideológicas absolutizarem a política - ganhou notoriedade e valor de verdade. Em algumas décadas não tenho dúvidas de que isso vai ser visto como a tese da escassez de alimentos do Malthus, como uma alucinação teórica.

O fato do Obama ser negro é o que faz essa "esperança midiática" ascender. Eles usam a transfiguração de uma imagem de que as "minorias exploradas" chegaram ao poder, quando isso não foi feito. Passam à massa a idéia de que uma vitória do neoliberalismo foi uma vitória sobre o neoliberalismo, falseando a realidade.

Tenho curiosidade para ver, no final da farsa, qual será o discurso. Bonner e Bernardes, sentados no estúdio na frente das câmeras, vão fingir que nada do que ouvimos hoje foi alardeado pela emissora de maneira sensacionalista e "showrnalizante". E, no maior dos cinismos, lerão outras matérias numa dissimulação combinada, fazendo o telespectador não saber se a ficção está no Jornal ou na novela que vem em seguida.

É claro que eu não tive pretensões de dizer que "APENAS depois dos quatro - ou oito - anos" veremos o resultado do governo Obama. A política dele se delineou na campanha, agora haverá "somente" a aplicabilidade da mesma. Se ficou esse entendimento de sua discordância, Fabiano, me expressei mal ou de maneira deveras generalizante.

E quanto a forma que a esquerda socialista deve lidar com o novo presidente, acho que deve sim ser diferente do Bush NESSE MOMENTO INICIAL, já que Obama "ainda" não invadiu Iraque, Afeganistão ou qualquer outro país de modo direto e intempestivo. De quebra, ele ainda publiciza que vai desativar Guantánamo. Dizer que ambos são "iguais" em ação, que ambos são brucutus, é pouco inteligível.

Mas não acho, também, que isso deve ser confundido com abertura de créditos temporários de confiança a Obama, de dizer que ele é um pouco menos ruim do que é. Devemos fazer a ligação no sentido de que o neoliberalismo, enquanto política econômica global, terá seguimento (e, com isso, as demissões em massa). E isso pelo fato de que Obama e Bush representam a mesma classe, e que aí reside o centro de suas convergências.

No mais, corrigir:

4º parágrafo
"fassa copm que o proletariado internacional sofre uma das suas maiores derrotas" para "faÇa COM que o proletariado internacional sofrA uma das suas maiores derrotas"

"pá de cá" para "pá de cal"